Este é um blog pessoal, onde colocarei textos escritos por mim em momentos de alegria e de angustia e textos que chegam em minhas mãos através de e-mails de amigos e que de alguma forma tocam meu eu interior.

15 de outubro de 2012

NASCE OU RENASCE UMA ESTRELA


É engraçado e doloroso como vamos desaparecendo durante a nossa vida. Como somos anulados e como nos deixamos anular.
Quando somos crianças muitas vezes temos um nome e o sobrenome filho de, ou somos só o/a filha de. E vamos crescendo e quando somos adolescentes então temos um nome ou mais comumente um apelido, e assim somos conhecidos como indivíduos sem sem sobrenome de pertença.
Acho que por isso a adolescência é conhecida como rebelde, queremos nos afirmar como seres existentes com pensamentos e atitudes, mas ainda não temos maturidade e experiência e muitas vezes nos encrencamos muito.
Isso até conhecer alguém e nos apaixonarmos e passamos a ser a/o namorada/o de alguém. A individualidade acabou. Somos a namorada/o, noiva/o, e depois esposa/marido de alguém.
Depois veem os filhos, aí somos chamados de mãe/pai e até mesmo em casa muitas vezes chamamos nosso amor de pai ou mãe, anulamos o marido/esposa.
Na escola dos filhos temos o nome com vários sobrenomes, no meu caso, mãe do Luís, mãe do Fábio, mãe da Keli, agora tenho mais sobrenomes pois sou a avó de.......
Se como eu gostamos de participar ativamente da escola, somos a mãe de.....
Na igreja se participamos os dois, somos a esposa e ..... Se participamos individualmente, temos nosso próprio nome, mas com a obrigação de evangelizar o parceiro/a e levá-lo junto para não sermos viúvas/os de marido/esposa vivos.
Nossas vontades, pensamentos, sonhos, vão ficando sempre para depois.
O depois chega por uma separação, uma viuvez, filhos foram embora porque casaram ou foram morar sozinhos e nos sentimos perdidos, vazios, sem saber o que fazer, pois desaprendemos de fazer para nós.
Onde buscar nossa individualidade, como ter pensamentos voltados para si mesmo, colocar em prática novas ideias, temos imagens que criamos ao longo dos anos e com as quais as pessoas nos veem, como quebrar essas imagens. Tirar coragem da onde para recomeçar como indivíduo ou casal.
Continuar com a vida que tínhamos, já não satisfaz ou não é suficiente, porque ficamos dependentes dos filhos seja ajudando-os ou sendo ajudado, sentimo-nos muitas vezes abandonados por não terem tempo de nos visitar sempre (esse é o grande problema dos idosos em casa de repouso, a falta de visitas da família), viagens com eles, reuniões de família criadas para te-los mais perto mais vezes.
Quando percebemos isso e começamos a tomar atitudes de uma vida própria e independente, não estamos deixando de amar nossos filhos, nossa família, estamos como eles constituindo uma vida sem pesos para nenhum dos lados, sem cobranças. Estamos em busca de nossa individualidade perdida, seja sozinha/o, seja como casal, ou numa casa de repouso, começamos a brir novas portas e perspectivas.
Já não estamos tão disponíveis, assumimos novos compromissos, novas metas (ás vezes as velhas que eram sonhos), continuamos amando e cuidando, mas com a consciência de que estamos buscando o nosso conhecimento pessoal, novas oportunidades de sentir-se viva/o ou capaz, que não é porque estamos velhos que somos inúteis, dependentes, até a industria, o comércio e o mercado de trabalho está descobrindo isso.
Superando nossos medos e angustias, nossos fracassos e expectativas vai nascendo ou renascendo uma nova estrela.
A estrela que existe em todos nós, sem culpa, a culpa é um sentimento que nos impõem por não correspondermos ao que esperam de nós. Respeitando nossos sentimentos, desejos e sonhos, como respeitando os dos outros.
Que a estrela que renasce seja respeitada e respeite, seja amada e ame com liberdade de pensamentos e sentimentos. Uma estrela com pontas que às vezes também fere, mas com brilho e calor para iluminar e aquecer os corações ao redor. 
E como diz o pequeno príncipe uma estrela que te fará rir porque eu estarei rindo nela.